• Flavio Moreira

O poder da presença está no foco que você não dá


Imagem de Gigi via Unsplash.


Excesso de passado e futuro são os dois vilões de um mal que atinge muitas pessoas no mundo todo: a falta de foco.


No comando desses dois vilões estão os pensamentos. São eles que dirigem em que direção estará o foco de cada um de nós. Se o agora não é o centro de nossa atenção, só existem dois outros lugares possíveis para ela se encontrar: no pretérito ou no amanhã.


Tenho conversado com muitas pessoas que têm me falado sobre a sua dificuldade de iniciar uma atividade, plano ou ideia e seguir até o fim. Nos processos de coaching em que aplico, esse é um dos assuntos mais levantados pelos meus coachees durante as sessões.


As diversas formas de distração se apresentam na frente das pessoas e a necessidade de desfocar parece quase que inevitável. É muito comum a quebra do ritmo para atender uma necessidade imediata, que aparece como fruto do pensamento. Um produto da mente que parece forçado e inevitável.


São muitos cursos que não são terminados, empregos interrompidos, relacionamentos que não dão continuidade e metas que são deixadas de lado sem nenhum motivo aparente, apenas justificado como falta de foco.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou uma pesquisa, recentemente, onde os resultados apontaram o Brasil como o país mais ansioso do mundo. Alguns muitos afirmam que a depressão é o mal do século XXI. O que informações como essas têm a ver com a falta de foco? Elas estão diretamente relacionadas as primeiras palavras deste artigo: excesso de passado e futuro.


Pensamentos predominantemente no passado levam a sentimentos de depressão, rancor e frustração. São representados pelos arrependimentos, a dificuldade de lidar com situações desagradáveis do passado. Uma mente que sempre volta para o que não ficou bem resolvido. Ruminação mesmo.


Pensamentos com excesso de futuro podem trazer sentimentos de medo e ansiedade. São personificados pelas preocupações, receio da escassez e desespero. Uma mente que busca justificar comportamentos excessivos de apreensão, no presente, por aflição de um futuro que ainda nem chegou e pode até não se configurar daquela maneira.


É praticamente impossível manter uma mente 100% sã com tamanho desequilíbrio.


Uma pesquisa realizada pela Universidade de Lyon, na França, apontou que nós passamos 70% do tempo direcionando nossos pensamentos para o passado, 25% para o futuro e apenas 5% no presente.

Essa total falta de equilíbrio se reflete nos números cada vez mais crescentes de diagnósticos de depressão e ansiedade em todos o mundo e com o surgimento de doenças da psique que passamos a conhecer de pouquíssimos anos para cá, como a Síndrome de Burnout (distúrbio emocional proveniente de estresse e esgotamento físico por questões de trabalho), que são males do nosso tempo.


O ritmo acelerado de vida que a sociedade, em geral, vinha levando até antes do atual isolamento social, trouxe com ele prejuízos econômicos, sociais e o principal: o impacto negativo em muitas vidas.


A única maneira possível de não só parar esses avanços prejudiciais, mas também, instalar um modelo de vida emocionalmente mais saudável às pessoas é por meio da presença.


A mente deveria ser considerada uma de nossas mais poderosas ferramentas, e de fato, ela é. Porém, muitas pessoas estão a utilizando de maneira prejudicial a si e aos que com elas convivem.


Isso porque, essas pessoas não tem atuado na gestão do principal agente produtor de foco excessivo em passado e futuro: o pensamento.


Orai e vigiai pensamentos. É no pensamento que você tem a possibilidade de ressignificar as emoções que não controla, e portanto, gerar sentimentos mais agradáveis. Com sentimentos mais agradáveis você transforma sua realidade com comportamentos mais produtivos e edificantes.


Tudo começa no pensamento e se tem algo que você pode escolher é no que pensar. É por meio do que você decide pensar que você muda toda a cadeia que vem abaixo dele, no caso, os sentimentos e comportamentos.


Já que emoções são impossíveis de serem controladas, a poderosa arma para a manutenção do foco está na direção dada ao pensamento.


Pensamentos positivos vibram uma série de ondas que precisarão levar uma correspondência tão positiva quanto aos seus sentimentos, e consequentemente, isso reflete na forma como você se comporta, colocando-o em perfeita harmonia com o que você pensou e em nível correspondente ao nível de emoção que esse pensamento positivo passou a vibrar.


É fácil trazer isso para o mundo prático com diversos diferentes exemplos. Quer ver? Então responda a pergunta abaixo escolhendo as opções abaixo:


Quem tem mais chances de ter um dia de realizações e bons resultados em qualquer área da vida?


  1. A esposa que teve uma terrível briga com o marido nas primeiras horas do dia ou a mulher que teve uma maravilhosa manhã de amor com seu parceiro(a)?

  2. O homem que bateu a traseira do carro e está chateado ao longo do dia ou o rapaz que estava no carro de trás do homem e teve a frente batida danificada, mas agradeceu logo após o ocorrido por estar bem e algo de pior não ter acontecido a sua saúde?

  3. O garoto que esqueceu que faria prova de matemática, não estudou e está profundamente arrependido e com medo das questões ou o menino que também esqueceu de estudar para a mesma prova, mas prefere acreditar que mesmo que não tenha estudado, confia no seu potencial e acredita que pode pelo menos tirar uma nota 7?


Três diferentes casos e sempre com duas maneiras distintas de direcionar o pensamento. Viver o presente de forma plena depende de um equilíbrio no direcionamento desses pensamentos, onde o foco no presente é necessariamente mais relevante do que em qualquer outro tempo.


Isso porque, como já é óbvio dizer, o passado é inalterável. Se nada há mais para se alterar por lá, pois não é viável, do que adianta gastar energia nele com ruminação e culpa?

É mais produtivo aprender com os efeitos das ações do que passou. Sendo resultados bons ou ruins, eles sempre deixam alguma lição, e com elas, podemos aprender para fazer diferente da próxima vez. E ai sim, usar o passado como um modelo de aprendizagem. Só isso.


O futuro não tem como nos ensinar, pois ele ainda não aconteceu, já que, assim como o passado, também não existe. Porém, é aqui no presente que ele é construído. É a partir disso, que se foca a energia a ser empenhada. Perceba que essa energia será aplicada no PRESENTE para construir o FUTURO.


"A distinção entre passado, presente e futuro é só uma ilusão, ainda que persistente."
Albert Einstein

Quando você dá vida, e vida em maiores proporções ao presente, grandes coisas começam a acontecer. A voz do medo é gradualmente silenciada, as âncoras que te seguram são desatadas para que você viva a sua verdade.


A meditação é uma das melhores formas de exercitar o foco no presente. Sua estrutura básica consiste a observação do fluxo respiratório por meio da inspiração e expiração. Dedicar, nem que sejam apenas cinco minutos do seu dia, para tal exercício, já poderá proporcionar mudanças em algumas semanas na sua vida.


Existem meditações que levam essa atenção para outras sensações corporais como batimentos do coração, por exemplo. Essa concentração em um ou mais pontos do corpo é foco no presente, e não tem como ser diferente. Seu coração bate agora, sua respiração acontece agora. A observação de sons a sua volta, enquanto medita, acontece no momento em que você está meditando, no caso, no presente.


Experimente fazer a mesma experiência da meditação com as atividades do seu dia a dia. Nas suas leituras, enquanto realiza suas refeições, durante os filmes ou séries que você assiste, nos momentos em que brinca com seus filhos. Saboreie cada segundo, permita-se sentir as emoções deste instante. Viva a presença.


Se você não tem o hábito ou nunca tentou meditar, pode experimentar procurar a forma mais básica da meditação para depois fazer essa transposição para outras atividades. Porém, não é nada absurdo ou impossível praticar esse foco em qualquer ação cotidiana que desejar. Lembre-se apenas de afastar as distrações (ligações, redes sociais ou preocupações) enquanto estiver dando atenção a algo ou alguém.


Não se preocupe em acerta nas primeiras vezes, mas também não amoleça. Seja um vigilante ativo de si mesmo. Seja seja seu próprio cientista.



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