• Flavio Moreira

Por que o medo de perder pode tirar a vontade de ganhar?

Existem ensinamentos que só o fundo do poço pode dar a alguém. Dura realidade ou um chamado para o cumprimento de algo maior?

Imagem de Free-Photos via Pixabay


As vezes falta coragem. Em outras a procrastinação toma conta de nossas ações e nos deixamos levar por um cérebro de características primitivas que deseja o tempo inteiro poupar energia.


Navegando nesse barco, perde-se oportunidades, pessoas, relacionamentos, empregos, e as vezes, até a si mesmo.


No artigo de hoje, a conversa com você é sobre o fundo do poço. O que o tão temido vale tem a nos ensinar e quais são as maravilhas que só dentro dele você pode experimentar e aprender.


Para começar, não é porque o fundo do poço tem suas vantagens únicas de aprendizado que você deve procurar estar nele. Ninguém está imune de acontecimentos desagradáveis na vida e isso faz parte desse grande jogo que viemos jogar no dia em que nascemos.


Por que o fundo do poço acontece?


Quando você não aprende no pico (na fase em que a vida está boa), o enredo da história da sua vida pode sofrer variações por meio de situações e acontecimentos que não trazem boas emoções e sentimentos mas que cumprem uma missão fundamental: o aprendizado.


Eu tenho aprendido cada vez mais que na vida a gente acerta ou aprende. Não sei se você já ouviu ou leu essa frase em algum lugar, mas desde que me deparei com ela, achei ser bem verdadeira.


Na fase boa, a vida também nos dá sinais, justamente para que a gente não precise de um vale (fase ruim) para tirar algum ensinamento. Porém, o que acontece com 80% das pessoas, é que elas não estão prestando a atenção nesses sinais que surgem na fase boa.


Esse fato, te leva a seguir um caminho que não trilha a melhoria contínua da sua vida. A vida está tão boa para você, que esses sinais são como se não tivessem tanta importância assim. Ou você simplesmente adia, afinal de contas, ainda dá tempo...


É ai que reside a grande questão. Achar que sempre vai haver tempo para mudar e fazer acontecer, esperando a hora certa, te traz uma sensação de esperança descomprometida que te afasta totalmente do aprendizado e o melhor caminho para você.


Flavio, mas dá para ser mais prático e dizer como isso funciona? Deixa eu te dar um: imagina que você trabalha na empresa que sempre quis. Sente-se realizada(o) financeiramente lá. As vezes, sente-se realiza(o) até profissionalmente mesmo. Porém, depois de um tempo, você passa a ter comportamentos dentro da empresa que atrapalham seus colegas, suas entregas, o resultado da sua gerência.


Você é alertada(o) por um ou outro colega de equipe que algo que você fez não foi legal, que se fizesse X ou Y seria melhor para o grupo e para atingir a meta do mês. No entanto, você se irrita, mesmo não discutindo com esse colega, você carrega um rancor por ele em função do que ele te disse. Você leva para o pessoal.


Dias depois rola o famoso feedback do seu gerente. Ele senta com você, em particular, e conversa sobre os pontos que ele acredita que não estão contribuindo. Ele pontua melhorias que você poderia fazer para voltar aos trilhos.


No entanto, mais uma vez, você se irrita. Não entende, e de novo, leva para o lado pessoal. Seis meses depois, seus comportamentos no ambiente profissional são os mesmos, o que interfere nas metas e quem sabe até no ambiente da equipe. Um belo dia, seu gerente o chama para uma nova conversa. Você está demitida(o).


Você se questiona o que fez de errado. Por que você? Mas você é tão bom profissional! Competente. Isso definitivamente não é justo! Ou será que é?


Veja que nesse caso, eu dei exemplo de dois sinais que te foram dados ao longo dessa pequena história: o toque do seu colega e a conversa de feedback do seu chefe. Te contei, também, por qual motivo não houve aprendizado da sua parte, pois mesmo recebendo informações de que suas atitudes estavam sendo desfavoráveis, você manteve o mesmo comportamento. Não houve mudança. Então, de quem é a a responsabilidade pela demissão?


Veja em resumo o que aconteceu


  • Questão - atitudes no ambiente de trabalho que prejudicam as entregas;

  • Sinais - conversa do colega de trabalho e reunião de feedback com o gerente;

  • Aprendizado - não aconteceu, foram mantidos os mesmos comportamentos;

  • Consequência por não perceber ou ignorar os sinais e não aprender com eles - demissão

  • Vale - ficar desempregada(o)


Segundo especialistas de recursos humanos, o comportamento é o maior fator que leva as pessoas a serem demitidas. No exemplo que mencionei, você tinha uma questão a ser resolvida, recebeu sinais e os ignorou, e com isso, sofreu uma consequência, que nesse caso, para boa parte das pessoas não foi algo bom, em como desdobramento caiu num vale.


Veja agora o que acontece no ciclo quando a pessoa aprende no pico, a conhecida boa fase:


  • Questão - atitudes no ambiente de trabalho que prejudicam as entregas;

  • Sinais - conversa do colega de trabalho e reunião de feedback com o gerente;

  • Aprendizado - escutou ativamente as críticas, absorveu, entendeu, pensou a respeito, avaliou por quem foram feitas as críticas, avaliou criticamente se tinham validade, entendeu que as criticas eram validas, verificou o que poderia fazer para mudar os comportamentos, aprendeu e gradativamente foi fazendo melhorias contínuas em suas atitudes

  • Consequência por perceber aprender com os sinais - elogio do colega por agir diferente, novo feedback do gerente sinalizando e reconhecendo a melhoria

  • Pico - mantido no cargo e com novas perspectivas, inclusive de uma possível promoção


Conseguiu perceber a diferença entre aprender com os sinais e ignorá-los? Identificou as consequência tanto de um lado quanto para outro? São as atitudes que fazem o seu caminho. Ele pode ser algo favorável a você ou pode te levar para um nível maior de aprendizado por meio do vale.

Agora olha isso aqui. Mantendo o mesmo exemplo, vamos ao cenário pós demissão:


  • Vale - ficar desempregada(o)

  • Negação - não acredita que foi demitida(o), questiona o tempo inteiro as situações que levaram a isso, ruminação.

  • Descrença - desacredita do mundo, das pessoas, da profissão, do seu próprio potencial, falta confiança, baixa autoestima, desânimo;

  • Ressignificação e aprendizagem - pensa com mais clareza sobre os fatos, entende que poderia ter melhorado suas atitudes, reconhece que pode ainda melhorar e que precisa fazer isso agora, entende que a demissão foi algo que mostrou a necessidade de mudar comportamentos fundamentais para a sua performance.

  • Ação - busca cursos, treinamentos, terapia ou processo de coaching para facilitar a sua mudança de comportamentos e desenvolvimento de novas habilidades. Busca oportunidades de emprego, descobre o seu real propósito e trilha os rumos do empreendedorismo

  • Início de um novo pico - conquista um novo emprego ou começa a empreender, agora com novos e melhores comportamentos e habilidades desenvolvidas


Essa sequência do cenário com demissão pode ter grande variações no tempo que leva, eliminação de etapas, ou até, não acontecimento de algumas delas, pois tem gente que nunca sai da negação ou da descrença, e ai, também não avança. Dessa forma, não consegue entender por qual motivo não consegue um novo emprego.


É muito triste ver as pessoas que ficam estagnadas e que se acostumam com seus próprios modelos prejudiciais de comportamento. Elas não aprendem e dificultam sua caminhada em diversas áreas da vida. Até porque, essa questão do emprego acaba se desdobrando nos seus relacionamentos, finanças e saúde mental.


Porém, é por isso que o fundo do poço não é algo ruim. Ele é neutro. Basta saber se você, pelo menos dentro dele, vai tirar algum aprendizado que te leve ao seu próximo nível. Agora que está no fundo, não tem mais para onde descer. O que você vai fazer para começar a subir e voltar ao pico?


O fundo do poço ainda pode levar a um necessário caminho de investigação interna por meio do autoconhecimento, fazendo despertar e descobrir caminhos nunca antes pensados como uma nova carreira, o empreendedorismo, interesses e desinteresses, onde seu potencial pode ser melhor explorado e onde não. Tudo que potencializa a tomada de decisão para fazer escolhas mais sábias.


O fundo faz você aprender na marra o que você não pôde absorver no carinho. No vale também há amor. É a forma mais dura de um não, mas de extrema importância para o crescimento.

Tony Robbins já disse: "O problema das pessoas é achar que elas não deveriam ter seus problemas."


Gosto de pensar que essa sábia frase nos mostra que o problema é algo mais natural do mundo. O problema nos exige agir e pensar de forma criativa para solucioná-lo. Se ele existe é porque demanda solução e não estagnação, reclamação e ruminação, pois nessas últimas três variáveis o problema não é resolvido nunca.


É quando você não tem mais nada que o jogo é mudado. É quando você tem que recrutar o amor, a sabedoria e a criatividade para superar a dificuldade que você tem o potencial para usar o que de melhor há em você. A menos que queira ficar no fundo para sempre...


Sei que você pode estar preocupado com o pós quarentena. Pode estar ameaçado de perder o emprego, pode já ter sido demitida(o). Mas e ai?


O que você, e só você, pode começar a fazer agora para que depois dessa paralisação de nossa economia, você possa ser um profissional preparado para as novas oportunidades?


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