• Flavio Moreira

Por que a mudança de hábito é tão difícil?

Entenda por que ter força de vontade não funciona e o que realmente triunfa quando o assunto é fazer diferente e melhor.


Imagem de Derek Robinson por Pixabay


Quantas dietas você já teve a intenção de fazer justo pela sua insatisfação por não caber naquela calça 38 que você queria usar bem naquela ocasião?


Quantas vezes você disse "agora vou estudar valer", imediatamente depois de tirar uma nota 2 naquela matéria que você não gosta?


Quantas vezes você decidiu sair daquele emprego que não está alinhado com os seus objetivos no instante em que passava por uma situação incômoda no empresa?


Horas ou dias depois, lá estava você: comendo o que não deveria e quebrando a dieta que falou que ia fazer, maratonando séries no Netflix quando poderia usar parte do tempo para estudar ou permanecendo no emprego, porque afinal, você tem medo de sair de lá e suas contas não serem pagas e entrar na fila dos desempregados.


Esses comportamentos acontecem, pois as emoções governam nossas vontades. Nós não temos como ter controle sobre as emoções e isso é comprovado por pesquisas.

As emoções são muitas vezes intensas, porém curtas. A dieta que você tem a intenção de fazer aparece na sua mente por causa da angústia que você acabou de sentir por não poder usar a calça que queria na festa que acontece daqui a uma hora. Isso te revolta.


Mas quando você chega na festa, mesmo sem aquela calça que gostaria, a primeira coisa que você faz é tomar refrigerantes, deliciar com vontade os salgadinhos, afinal, "agora já não consegui vestir a calça mesmo, amanhã eu começo a dieta".


E assim você continua agindo num ciclo que nunca cumpri os objetivos que tem.

Para acabar com isso, não espere que a força de vontade o fará, pois não vai. Nossas vontade são voláteis, mudam demais o tempo todo, e portanto, estão entregues às nossas emoções.


Você decide dizer "vou estudar a partir de agora!" por que viu a nota baixa nesse instante, mas quando essa vontade passar, seu corpo vai querer poupar energia (por uma questão evolutiva natural), e você vai sucumbir ao prazer do momento atual que pode ser assistir uma maratona de séries na Netflix.


Só duas coisas fazem a mudança de hábito acontecer segundo anos de pesquisas científicas sobre comportamento: clareza e comprometimento.


Clareza de saber o que você quer, por que você quer, onde quer chegar com isso, para quem que isso serve e com qual objetivo. E traçar o caminho de como você vai fazer, passo a passo, com pequenas tarefas que te ajudarão a chegar lá.


Comprometimento é o que vai fazer você dizer não para tudo ou todos que não contribuem para o que você quer realizar. É usar a inteligência emocional, que nos mostra, que quando a temos sabemos controlar nossos impulsos, e portanto, controlamos nossos comportamentos e não as emoções.


Enquanto você pensar no futuro com a vontade do agora, para realizar mudanças de hábitos que deseja substituir, você continuará com dificuldades para atingir seus objetivos.
Força de vontade não funciona para mudança de hábitos, pois não gasta energia, assim como a intenção.

O que te levará à mudança é o movimento, se mexer, fazer algo a respeito. O nosso corpo tende a naturalmente poupar energia para usá-la para momentos em que biologicamente ela foi programada para ser usada como para buscar alimento, fugir dos perigos e fazer sexo.


Perceba que essa programação biológica é extremamente primitiva. Não vivemos num mundo onde ainda se precisa correr atrás do alimento como nossos ancestrais faziam, não precisamos fugir de animais selvagens que estão em convívio conosco querendo nos comer vivos. Não fazemos mais sexo só por uma questão evolutiva. Nós evoluímos em muitos aspectos.


Porém, seu cérebro ainda é primitivo, ele não sabe disso. É por isso que você precisará dribla-lo se quiser promover mudanças na sua vida.


Mudanças essas que não acontecerão por um milagre e com pouco esforço. É preciso movimento, colocar a mão na massa. Não tem moleza!


Exercite a sua clareza, fazendo as perguntas certas a si mesmo, entendendo quais são os valores que te motivam a agir e quais os objetivos por trás do seu querer. Defina um caminho, uma rota.


Depois disso se comprometa com o que você quer realizar. Se você já tem um caminho traçado, já saberá também, quais rotas não vão te ajudar no que você deseja. Vai precisar vencer cada impulso (isso é ser emocionalmente inteligente). Vai demandar dizer alguns nãos para si e para os outros. Porém quando se tem a clareza do que quer e como vai fazer, esses "nãos" se tornam um pouco mais fáceis de dar apesar da angústia, que ainda assim, você vai sentir.


Esse artigo foi produzido com base nos meus conhecimentos sobre inteligência emocional e com muito do que foi discutido, nesse vídeo abaixo, pelo professor e neurocientista Pedro Calabrez em seu canal, o Neuovox.


Flavio Moreira ajuda pessoas que encontram-se desnorteadas a obterem clareza e elevar a inteligência emocional para atingir seus objetivos e metas por meio do seu programa de desenvolvimento pessoal Do Íntimo Ao Compartilhado. Dirige e apresenta o Vem Cmg e Vem Cmg Expresso, podcasts sobre histórias inspiradoras e desenvolvimento pessoal.

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